Um dos encontros mais surpreendentes das
escrituras é este dos dois discípulos no Caminho de Emaús. O Mestre havia sido
morto pelos romanos, depois de ter sido entregue pelos seus no julgamento mais
fajuto que a história já conheceu. Imagine que sequer o direito romano queria a
condenação de Jesus, mas o sistema religioso trabalhou vigorosamente para que
tudo saísse como saiu. Caifás estava livre da pedra em seu sapato, e os
discípulos estavam apavorados, tristes e dispersos, sem entender direito o que
estava acontecendo, embora Jesus sempre os alertasse claramente sobre o que
viria acontecer
Quando Jesus se aproxima e começa a andar
com eles, a tristeza, o medo e a falta de entendimento não deixam com que
percebam quem os acompanha. Jesus provoca, fala sobre as escrituras, eles se
maravilham; mas mesmo assim não o reconhecem.
Assim é também hoje. A palavra é pregada, o
Verbo é anunciado e caminha entre nós, escorre por nossa língua enquanto
falamos o que está escrito. É a palavra viva batendo insistentemente no coração
do homem; mas o ele não ouve, não vê e não sente. Quer que Jesus desça num
foguete interplanetário, numa profusão de fogos de artifício, rodeado de
falanges celestiais ao som de mil trombetas! Esse é o homem do 3º Milênio,
cheio de legalismo e hipocrisia; metódico e presunçoso. Acha que é o dono da
verdade e que Deus é um empresário de um país distante; com quem ele pode fazer
negócios e comprar bênçãos sempre que estiver na “pindaíba”. O que nós
conseguiríamos negociar com Deus? Quais bens ofereceríamos para quem já é dono
de tudo? Ele só quer a nossa adoração, quer ser glorificado; e nós teimamos em
não entender a simplicidade da salvação.
Jesus está presente, venceu a morte e abalou
os infernos. Ressuscitou para que os doentes tivessem saúde, para que os mortos
tivessem vida, para que os possessos gozassem da liberdade que só o evangelho
pleno pode dar. É preciso que o reconheçamos no pão que reparte conosco todos
os dias, na maneira com que abre as escrituras e nos ensina os mistérios do
Reino.
Os discípulos de Emaús reconheceram Jesus
pelo seu gesto de partir o pão, tomara que nós o reconheçamos todos os dias no
rosto de nossos irmãos, nas lideranças espirituais deste tempo, no seio de
nossa família. Tomara que não olhemos para Jesus como um estrangeiro que, por
puro acaso resolveu repartir a jornada conosco. Para eles o encontro mudou suas
vidas, sua fé foi acrescentada e passaram a testemunhar de Jesus ressurgido
para todos os que encontravam.
Nós, que somos rodeados de uma tão grande
nuvem de testemunhas, anunciaremos Jesus de que modo? Quando sobrar tempo?
Quando não houver mais tempo? Lembre-se: o fim de todas as coisas é uma questão
de tempo; quem tem ouvidos ouça...


